Ad Astra

Ad Astra ★★★★★

This review may contain spoilers. I can handle the truth.

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"Ad Astra" me parece ser o eco imediato do filme anterior de James Gray, "Z - A Cidade Perdida". Há ali um conflito entre pai e filho, mas, desta vez, o foco narrativo está no filho. É um conflito bastante simples: Gray, novamente, apresenta o pai como figura traumática, pois a paternidade é relegada em prol de uma certa masculinidade exploratória, que só vê valor nos filhos quando estes podem integrar as expedições, as aventuras. Em "Z", ia-se às profundezas da Amazônia; em "Astra", vai-se às profundezas do sistema solar. Na jornada, descobre-se que não existe ideal incorrompido, que as instituições usam os homens ao invés de servi-los e que os homens as obedecem como máquinas, que as criações da humanidade provocam destruição mesmo quando estão em Netuno e que os primatas estão furiosos com o que se tornaram. Para Grey, a raiva se espalha por onde pisa o homem. A moral que se chega ao final da aventura pode até parecer otimista, mas há um certo pesar quando Pitt diz que só nos resta viver e amar, pois essa dicotomia se reduz a um certo pragmatismo das relações mais próximas, como se não pudéssemos mais amar à distância, como se não pudéssemos amar as ideias, o abstrato. Em "Ad Astra", ama-se o mínimo possível para lembrar-se que está vivo, ou seja, ama-se contra a solidão, ama-se de maneira egoísta. Gray acaba voltando ao tema de "Two Lovers", em que a tragédia do amor platônico é remediada pela farsa do amor possível.