Undine

Undine ★★★★★

This review may contain spoilers. I can handle the truth.

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Numa cena já lá para o final de "Undine", Christoph (Franz Rogowski) finalmente descobre o paradeiro do amor perdido. A imagem em vídeo pode ser a prova cabal de um reencontro esperado, além de um registro alentador. Mas aquela imagem nada pode diante do metafísico e só o que resta é o próprio Christoph, desolado diante da não-imagem na tela. Logo atrás dele, a poucos metros, está a atual companheira, grávida. Ela sabe que há algo de errado. Christoph precisar encará-la, tranquilizá-la, mas não com o semblante da falta, da dor. Seria injusto. A grande luta de Christoph está, então, nessa encenação de erguer e sustentar o sorriso de um semblante tranquilo, o rosto de um homem que tem tudo, ainda que tenha acabado de descobrir a perda do grande amor da vida. Não me lembro em qual dos textos de "A Experiência do Cinema" alguém diz que a fotogenia não é o sorriso em si, mas esse movimento da transformação que resulta no sorriso. Na madrugada de um filme de mergulhos, a virada de Christoph foi o tsunami partindo do aquário, a cena daquele que ali era o maior ator do mundo.
(Isso um dia depois de ver um Hang Sang-Soo, cineasta que melhor tem filmado o oposto, os homens patéticos).