2001: A Space Odyssey ★★★½

Em comemoração ao aniversário do HAL.

19h, cansado do dia, mas empolgado pra ver esse blu-ray pela primeira vez.

A gente comprou um home theater bem bom ano passado e eu precisava rever alguns filmes com ele. O primeiro foi Blade Runner, e depois teve A Rede Social e Amadeus. O meu pai lembrou que a gente tinha que ver 2001 também, porque é um dos filmes favoritos dele. Eu tava em Porto Alegre mais cedo hoje e lembrei que era aniversário do HAL e o dia de participar do projeto da Lise, então achei que era uma ótima oportunidade pra rever esse filme que eu tenho uma relação no mínimo complicada. Ironicamente, eu escolhi o dia em que eu fiquei sozinho em casa pra assistir. Fechei a casa cedo, deixei tudo escuro e aumentei bem o som — nessas horas eu gosto de morar longe.

Eu gostei bem mais, pra falar a verdade. Eu lembro que quando entrei na faculdade, há quatro anos, meus colegas gostavam de debochar do fato de eu não gostar — ou, no mínimo, ser indiferente — de 2001, e eu sempre quis entender o motivo. Talvez um dia eu entenda, mas eu fiquei feliz de ter gostado mais dele dessa vez (eu quero gostar de 2001, de ter ele como um dos meus filmes favoritos, mas isso ainda não aconteceu).

O alvorecer da humanidade é fantástico. Acho que é um dos meus atos favoritos do cinema. Essa é a primeira vez que eu assisto 2001 de um jeito descente desde a primeira vez que eu vi, em 2010, no nosso cineclube (a nossa salinha de cinema era bacana lá), e eu acabei gostando ainda mais dessa parte: o sentimento do silêncio que ela tem. Um tempo antes da turbulência sonora. É como se fosse um caos pacífico que o filme me faz sentir: desconfortável pela violência requerida pela nossa espécie, mas em êxtase com o mundo que nos cerca. Esses céus gigantes me fazem sentir o cheiro do vento.

Eu acho que o que me faz não achar 2001 um filme que eu admire é que eu não compro muito a transição temática, acho que foi isso que eu acabei percebendo pela primeira vez. O que eu adoro nos “personagens” do alvorecer da humanidade eu desgosto em todos os outros: eu não me importo com ninguém nesse filme, exceto o HAL, que é um dos meus personagens favoritos de todos, e como ele desperta para ter uma consciência e ser sumariamente destruído por isso. É um grande arco de personagem, eu adoro isso. Eu tenho a impressão, porém, que o filme não se interessa com esse desenvolvimento? Eu posso estar errado e não conseguir encaixar esse tema em particular com os outros. Quando HAL morre e vamos para Júpiter, meu interesse pelo filme todo termina (e o final não me faz sentir nada, infelizmente).

Acabei gostando de muitas coisas que antes eu não achava importante ou não dava muita bola, e eu acho que isso é uma das coisas lindas que eu sempre admirei em 2001 e que são poucos filmes que têm isso em comum: absolutamente tudo importa. Eu gosto como a todo momento eu tô sendo instigado a observar esse mundo, e como ele é construído. Eu falei antes sobre como é bom sentir o vazio do planeta no alvorecer da humanidade, no começo, mas é igualmente fascinante o quão desconfortável é o espaço e as naves que criamos para navegar nele. Eu adorei como 2001 me faz me sentir em casa, nesse sentido. A esterilidade das paredes brancas, as luzes muito claras no final contra o calor do sol e o frescor da brisa no início. Fiquei admirado em como 2001 me faz sentir os ambientes que eu vejo na tela, é uma pena que eu não consiga sentir nada pelos personagens que parecem realmente interessar. Acredito que seja um processo, e um dia eu chego lá.

Parabéns HAL, eu te adoro.

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