Babette's Feast

Babette's Feast ★★★★★

Um filme delicioso. Uma encantadora celebração da comida, arte, amor e uma crítica menos “encantadora” à religião. 

- O tema das dúvidas que podem surgir com o passar do tempo sobre as escolhas que se fez na vida está aqui muito bem retratado com as personagens Martine, Philippa e o General Lorens. A parte em que o General Lorens se confronta com o jovem General Lorens é das partes mais poderosas do filme. O velho General a dizer ao jovem General que satisfez todas as suas ambições “but to what purpose?... you must prove to me that the choice I mad was the right one”. O que nos faz pensar sobre o que é “ganhar” na vida? “Can the sum of a row of victories over many years be defeat?”. Contudo, o tema tem um desfecho interessante. Não devemos tremer perante os riscos quando se toma uma decisão porque “our choice is of no importance. Everything we have chosen has been granted to us, and everything have rejected has also been granted”

- O tema do amor é um algo complicado aqui porém limpinho como a água. Apesar de as circunstâncias da vida não permitirem que os enamorados fiquem juntos por motivos religiosos ou por motivos de se “ganhar” na vida, o filme mostra precisamente o que o amor é verdadeiramente. O General Lorens diz a Martine que esteve com ela todos os dias da sua vida e que vai jantar com ela todas as noites “if not in the flesh, which means nothing, in spirit, which is all”. Isto é o amor no seu mais puro e belo estado. Este filme acertou em cheio e de uma forma perfeita o que amar o outro é.
 
- O tema da arte e do papel do artista que, a meu ver, é o tema mais poderoso neste filme, é retratado de uma forma bastante sublime. Na personagem Babette é possível observar o choro do coração do artista “Give me that chance to do my very best”. Babette gasta todo o dinheiro que ganhou na lotaria num jantar, tudo para que fosse artista (de novo) por um dia. Quando Philippa agradece a Babette por ela ter dado tudo o que tinha for the sisters sake, Babette responde: “for your sake? No for my own”. De tal forma que demonstra que quem precisava mais daquele jantar em caso algum eram as irmãs ou os convidados mas a quem aquele jantar era tão importante era a Babette. E o momento mais marcante do filme: “An artist is never poor”, bem como: “but Babette this is not the end”, a esperança na vida eterna, de que se vá ser o grande artista dos céus e que se deixe os anjos muito felizes, this melts my heart like nothing else. 

- O filme faz uma forte crítica à religião e apresenta-a como esta coisa que faz os seus seguidores comerem comida sem sabor, que todo o prazer é uma distração de Deus, que o amor terreno e o matrimónio têm pouco valor e são considerados uma vã ilusão: “early love, and marriage with it, are trivial matters, in themselves nothing but illusions”. 

- Poderia-se pensar que muito há a dizer sobre a comida, sobre o serviço de mesa (que por seu lugar é esplêndido) ou até sobre os vinhos e champagnes porém só uma coisa, e por sua vez bem simples, se pode dizer: a comida junta as pessoas e devia-se tratar a comida com a magia e encanto que lhe é própria. “And what a Turtle soup!” “And this most certainly is Veuve Cliquot 1860!”.

CatalinaChavez liked these reviews