Promising Young Woman

Promising Young Woman ★★★

É muito empolgante ver uma diretora de primeiro longa como Emerald Fennel pegar um subgênero tão pouco "nobre" como filme de rape revenge e transformá-lo numa peça política e de alcance popular. É o caminho oposto de outro filme de estreia do ano, "The Assistant", que também aborda a questão do assédio, mas num modelo mais discreto, arthouse. "Promising Young Woman" é o resultado de uma série de decisões arriscadas -- um tema e uma personagem que querem incomodar, o tom de ironia, o flerte com o cinema de gênero, a rejeição de soluções tradicionais e conciliadoras. Poderia dar terrivelmente errado, mas Fennell sabe se conectar ao clima extremamente atual de intolerância à violência sexual contra a mulher, cria um discurso e o vende numa embalagem pop. Faz um filme que provoca e tira o sossego de quem o assiste o tempo todo, sem pausa, mas sabe mirar na indignação, o que provoca dentificação com a protagonista, Carey Mulligan em ótimo momento. Os limites vão pro espaço num filme que tem humor, mas toca em feridas sérias, que vai do cinema de gênero para o ativismo sem aviso, que tem um título que poderia certamente descrever sua diretora.