3 from Hell

3 from Hell

Depois dos 1000 CORPOS, Rob Zombie empilhou um fracasso em cima do outro, excetuando talvez o primeiro HALLOWEEN, que inconformado à ideia de franquia logo foi retomado por outras mãos. O próprio diretor disse que o orçamento do blockbuster era mentiroso e que os recursos diminuíram filme a filme, que o modo de produção dos Weinstein, da Lionsgate, da Universal era absolutamente ilógico, antieconômico e que nunca pode ser folgado como foi no seu filme de estreia, que demorou três anos para ser finalizado, isso após ser engavetado pelo estúdio que o financiou irresponsavelmente e que pensando na imagem pública da empresa, atirou no lixo a maior herança que possuía dos filmes que fizeram a Universal crescer e competir com os grandes.

Com o gênero de Horror supostamente de final girl, ainda brigando por espaço com as séries de TV em salas públicas, chega 2019 e por encomenda o terceiro filme dos rejeitados, que também marca o terceiro filme seguido do Zombie para o (finado) mercado de vídeo, depois de tentativas frustradas de fugir para outros nichos, outros moldes e outras narrativas.

As progressivas restrições de produção e o deslocamento no mercado dos filmes do Zombie forçaram um crescimento como cineasta que é totalmente inusitado nestes dias sombrios, sobretudo em Hollywood com sua lei do progresso por inflação dos orçamentos, da publicidade e consequentemente das bilheterias. Seu deslocamento é tão grande que o próprio Jason Blum descartou por completo sua melhor realização antes da parceria que formaria com o Shyamalan, outro autor de cinema popular que precisava imediamente reencontrar o público para seguir filmando. Uma convergência de métodos e resultados na Blumhouse só ocorreu nesses raros exemplos.

Agora, de volta aos 3 INFERNAIS: De LORDS OF SALEM a 31 esse acúmulo de frustrações com o meio resultou numa seriedade absoluta com o trabalho, mais livre e despojado, mais focado e conciso, o que muitas vezes faltava nos seus melhores filmes da década passada (devido à própria falta de experiência - afinal, é alguém que aprendeu o ofício apenas vendo filmes e filmando). Mas em 3 INFERNAIS eu só vejo o cansaço e uma luta perdida, um filme de ideias passageiras e de fetiches que são atirados na tela porque, bom, é o que dá pra fazer.

Em 31 ainda vivia um espírito juvenil. Não tinha um ator que dava a cara e as falas sem crer no niilismo adolescente da brincadeira macabra e não tinha uma set-piece que deixou de ser aproveitada em todas as possibilidades estilísticas que se apresentavam. Em OS 3 INFERNAIS temos diversas situações mas nenhuma cena efetivamente construída. Os planos e os cortes são suficientes pra fechar a ordem do dia e simplesmente fazer a transição necessária da situação A pra situação B. É um filme repleto de money shots para tentar resolver com efeitos o que falta na sua base. A conversa dos irmãos sobre a produtora pornô que fundarão com as prostitutas locais parece a lógica do negócio: por mais baixo que seja, vão entregar o que hoje querem ver, fazendo apenas o que dá pois estão sempre correndo e se surgir uma boa ideia aqui ou ali, mete no meio, pois o que vale são episódios que entregam as imagens já esperadas. O resto é ruído. A personalidade dos vilões, agora heróis, foi engolida pelas necessidades de escândalo público como foi o próprio filme.

Enfim, a depressão bate se colocar a conclusão de OS 3 INFERNAIS ao lado de qualquer filme anterior, pois mesmo com a inevitável resignação dos personagens a uma ordem infernal, nunca esteve ausente a febre da revolta em 31, em LORDS OF SALEM, em HALLOWEEN II, que sobreviviam como seus personagens, como Lon Chaney, errantes e desajustados. Hoje só sobraram rockstars, nem a família Firefly parece em tamanho desacordo com o mundo ao redor. É um resultado melancólico vindo de um dos poucos cineastas surgidos neste século, com uma carreira muito diferenciada e consistente até este ponto. Só espero que retome seu destino.

Vale ressaltar que o roteiro foi reescrito por inteiro semanas antes da rodagem com a perda da presença do grande Sid Haig e que parte do sentimento de colagem apressada se deve a isso, mas tudo já parecia fadado ao fracasso quando surge a necessidade de dar sequência a uma jornada que acabou.

Christofer liked this review