Soul ★★★★★

This review may contain spoilers. I can handle the truth.

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Tem gente idiota comparando este filme com Augusto Cury e Chico Xavier. O que aconteceu com a crítica? Prefere se fazer de palhaça para "aparecer", fazendo reviews engraçadinhas para sustentar um narcisismo pseudo-provocativo mas que só faz cócegas nos poucos que levam à sério este tipo de ironia boba? A crítica não para mais para analisar sem tentar ser ácido-de-pelúcia? Na verdade, nem críticos são, apenas cinéfilos que tiveram oportunidade um dia para expressar opinião subjetiva de boteco. Não têm vergonha de mostrar pseudo-intelectualismo citando generalizações e superficializando uma análise sem a depurar? Não à toa estão decadentes.

Depois de ter assistido uma revolução na animação no cinema aos 6 anos com "Toy Story", a competência narrativa deste filme e suas consequências foi se mostrando em "Finding Nemo", "Os Incríveis"(que na era pré-Marvel foi visto por muitos fãs de quadrinhos como o mais completo filme de super-heróis até então), e "Ratatouille".
Com "Wall -E" ela atingiu um passo a mais nessa possibilidade narrativa, lidando com o silêncio e a plasticidade, voltando mais às origens da própria animação e esquecendo o esforço em atingir o realismo e o convencional antropomorfizado em animais, peixes, carros ou brinquedos, e procurando realmente dar um passo à frente em sua fórmula.
Logo depois veio "Up", deste mesmo diretor de "Soul", Pete Docter, que em companhia com o ilógico, ainda não largava do convencionalismo formal da narrativa emocional do cinema live-action.
"Inside Out" finalmente mostrou o que Docter realmente via na arte da animação, justamente quando a Pixar começou a perceber que estava caindo em sequências e conveniências; e no momento em que seres humanos, robôs, ou brinquedos são substituídos por emoções/sentimentos antropomorfizados, em uma análise lúdica porém inteligente sobre o subconsciente, a plasticidade e o ilógico tiveram que voltar.
Com "Soul", o diretor (fã de Miyazaki...ok?) atinge seu ápice...até então.

Começando o filme pensei que a animação ia se adentrar muito no realismo das ruas , do jazz; que de certa forma iria tirar proveito de uma cultura de um jeito relaxado e manipulativo, como fez em "Coco", e que iria ser preachy em relação à identidade. Engano meu quando, logo que Joe Gardener morre e é transportado para o mundo do pós-morte, a animação da Pixar atinge um nível de plasticidade e surrealismo que jamais foi atingido pelo estúdio.
Das ruas bem reais, com uma iluminação excelente, da cidade e dos clubes de jazz, para o ambiente metafísico com brilhantes inserções cômicas sobre determinismo, existencialismo, e espiritualidade...em uma queda; o roteiro primeiro não esquece que é uma comédia hilária, e depois submerge em tantas novidades e devaneios, que eu não acreditava que estava assistindo um filme da Pixar(mesmo com "Inside Out", "Toy Story 3",etc..., a sensação foi mais parecida como quando assisti "Wall -E").

Em seguida ocorre um plot twist que sugere a troca de corpo, o que poderia ser formulaico como foi no filme "Freaky" desse mesmo ano, mas nada foi passado com tanta profundidade sem ser preachy e nem sentimental com o uso barato de convenções; com um exemplo de roteiro inteligente, intelectual sem parecer, cheio de reviravoltas que fogem do lugar comum mesmo quando vão parecer deslizar(provavelmente um dos melhores do ano,senão o melhor), poderia ser visto como um filme de auto-ajuda, quando na verdade usa do próprio fator ilógico da animação, e plástica do cinema no geral, para passar um pensamento(que pode ou não ser uma lição de vida para quem assiste) que na verdade é estudado por milênios dos pré-socráticos aos pós-mecanicistas. Mesmo a parte mais situacional da fórmula Pixar, o sidekick, subverte a trama convencional que o estúdio costuma tomar em outros filmes. É sim um passo a frente tematicamente, socialmente, intelectualmente, e como animação e cinema, seguindo a fórmula tecnológica da Pixar. Se "Inside Out" ainda cai em clichês (como os sentimentos sendo retratados como os sete anões) mas já mostrava uma noção plástica/metafísica(na visita ao subconsciente), "Soul" apara todas as arestas e entrega o trabalho definitivo da Pixar nesta década

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