• Don't Look Up

    Don't Look Up

    ★★★½

    Cheguei na sala e o conje estava assistindo. Ou seja, não consegui fugir do hype. Não tenho controle da minha própria casa. Poderia ter saindo correndo, tapado os olhos, sei lá. Mas não. O algoritmo é onipresente. Tive que ver.

    O dinheiro que gastaram com o elenco está estampado no pôster. Claro: comédias só funcionam com bons atores. Mas ando tendo um estranhamento em relação ao star system, e a ver as mesmas caras em todos os filmes. Poderiam ser…

  • Battleship Potemkin

    Battleship Potemkin

    ★★★★★

    (Sim, visto inteiro pela primeira vez aos meus 27 anos. Sim, eu sei, eu trabalho com cinema, fotografia e montagem. Há pecados em nossas vidas!)

    É importante que haja uma bandeira.

    É importante que ela seja vermelha. (Einsenstein sabia disso, e pintou à mão 108 frames de filme ortocromático.)

    É importante que a bandeira una os homens. É importante que os homens, unidos, gritem.

    E, sobretudo, é importante que haja alguém para filmar.

  • The Beatles: Get Back

    The Beatles: Get Back

    Eu sei que vocês amaram. Eu não estou aqui para tirar esse prazer de vocês.

    Eu não vou nem dar nota pra não parecer amarga. Mas segue o meu desabafo.

    Puta merda, Peter Jackson, precisava fazer o negócio TÃO errado?

    Pra vocês terem uma noção: eu baixei 3 versões diferentes, completamente incrédula que a qualidade da imagem estava tão ruim. Achei que era o problema do rip de alguém, sei lá. Até me lembrar que quem fez o filme foi…

  • The Atomic Cafe

    The Atomic Cafe

    ★★★★★

    A bomba atômica como parte indissociável de uma cultura de um tempo e lugar. Um tempo e lugar em que o filme também era um dos principais meios de comunicação por onde víamos o mundo.

    Afinal, a bomba atômica é cinematográfica - sua explosão é esteticamente agradável aos olhos, surpreendente, magnífica. Ao observarmos imagens da bomba sem que todo o restante do contexto nos seja dado, nos maravilhamos com o auge da potência destrutiva humana. A bomba é pop, sua…

  • Dune

    Dune

    ★★★

    (Só o isolamento forçado pelo covid pra me fazer ver filme da moda...)

    Melhor que o esperado, mas também sei lá, acho que o estilo Villeneuve contaminou tudo.

    Não dava pra ter um pouco mais de cor? Tenho medo de toda ficção científica ficar assim agora, careta, o horror.

  • Intermissions

    Intermissions

    ★★★★

    Não vou dizer pra ninguém que assisti só porque queria uma descarga de dopamina vendo a cara do Lula.

    Ops!

    Registros de um outro tempo, há quase 20 anos, em que o processo eleitoral se dava de outra forma, completamente diferente de hoje. Aviões e comícios, televisões, debates ao vivo e estratégias de campanha que ainda não tinham como recurso a mais poderosa arma política que o ser humano foi capaz de inventar, a conexão global via internet.

    João faz…

  • Man with a Movie Camera

    Man with a Movie Camera

    ★★★★★

    Kinoks buscavam a verdade, o diário, o intervalo. Buscavam o que não era música, nem literatura, nem teatro: era cinema.

    Purismos formalistas à parte, o cinema acabou por ser mesmo aquilo que Vertov inventou. Se o filme, mal recebido à época, tem hoje tanto valor para a comunidade do cinema mundial, isso se deve ao fato de que Dziga, seus irmãos Boris e Mikhail e sua esposa Yelizaveta pintaram uma realidade dinâmica e fluida com pincéis que muitos, depois, usariam.…

  • The Maid's Kid

    The Maid's Kid

    ★★★★

    Melodrama neorrealista nipônico?
    Sim, por favor!

  • Bo Burnham: Inside

    Bo Burnham: Inside

    ★★★★

    Os comediantes da minha geração falam bastante de coisas das quais eu sei, mas ainda não havia materializado, por exemplo:

    that special feeling de ter crescido em um mundo e envelhecer em outro; qual seja; crescer em um mundo analógico e envelhecer em um mundo digital, em um mundo cada vez mais meta, se é que vocês me entendem.

    A pandemia acabou mas eu continuo passando boa parte do meu tempo em casa; a porta está aberta mas, como era…

  • Gangs of New York

    Gangs of New York

    ★★★★

    O início dos anos 2000 escorre aqui e ali pelo filme, o que é engraçado considerando que é um filme de época do século XIX.

    Um exemplo: apenas os anos 2000 seriam capazes de convidar Cameron Diaz e Leonardo di Caprio para atuarem como irlandeses.

    Pagando a dívida com o velhinho sombrancelhudo, mas ainda devo alguns.

  • Space Sweepers

    Space Sweepers

    ★★★★

    Star Wars, só que o vilão é branco e os protagonistas são coreanos.

    Gostei.

  • Os Fidalgos da Casa Mourisca

    Os Fidalgos da Casa Mourisca

    ★★★★

    Geoges Pallu adapta um romance de Julio Dinis, conhecido escritor portuense, sobre a queda dos valores monárquicos e heranças absolutistas e a ascensão da burguesia campesina portuguesa.

    Portugal é estranhamente atrasado neste sentido. Finais do século XIX e início do XX não foram exatamente o momento de chegada da contemporaneidade e das modernidades tecnológicas por aqui, mas sim o momento pelo qual França, Inglaterra e outros países da Europa haviam passado no século XVIII - a ascensão das classes burguesas.…