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  • Once Upon a Time in Hollywood

    Once Upon a Time in Hollywood

    ★★★★

    This review may contain spoilers. I can handle the truth.

    “Me dê um Sergio Leone”. Em entrevista a respeito de “Era uma vez na América”, o gangster movie dito por muitos definitivo dirigido pelo cineasta italiano, Tarantino descreve como passou a demandar um close extremo aos seus diretores de fotografia. Segundo ele, a imagem por si só não bastaria. Seria preciso evocar certa aura, um sentimento quase metafísico no intuito de garantir sentido e força a determinado plano. Talvez esse costume cinéfilo curioso seja suficiente para revelar muito do que…

  • Once Upon a Time in Hollywood

    Once Upon a Time in Hollywood

    ★★★★

    eu tava com um medo tão grande disso tudo ir prum caminho tenebroso... cheguei a cogitar nem assistir. de todo modo, obrigado, Tarantino, por inventar um coração tão grande pra habitar um mundo tão inóspito.

  • Salut les Cubains

    Salut les Cubains

    ★★★★½

    Varda mexe e remexe suas próprias fotografias para remontar algumas impressões calorosas sobre um país gigante (sobretudo em 1963). gosto como ela subverte várias ideias dentro da lógica do documentário e principalmente do que procura de fato revelar com as imagens e os sons, como fica evidente na frase "uma vila nas árvores foi construída por jogadores de dominó". assim como o foco da cineasta está nos cubanos, e não necessariamente em Fidel ou Cuba, uma vila nas árvores não poderia ser construída por pedreiros, arquitetos ou engenheiros, mas sim por jogadores de dominó.

  • Touch Me Not

    Touch Me Not

    ★★★

    O grande vencedor do último Festival de Berlim busca conciliar um tema forte com uma experimentação de linguagem intensa e não muito usual, o que talvez esteja bem refletido nas opiniões divididas entre seus críticos. A diretora Adina Pintilie propõe uma imersão visual e sonora, discorrendo sobre dois universos que se aproximam na medida em que o filme avança – a situação emocional de Laura (Laura Benson), espécie de protagonista-interlocutora, e a manifestação da sexualidade do restante das personagens, suas…

  • The Miseducation of Cameron Post

    The Miseducation of Cameron Post

    ★★½

    A crueldade é apenas uma das muitas formas que os seres humanos encontraram para disciplinarem uns aos outros. Disciplina, aliás, é uma palavra muitas vezes confundida com educação. “O Mau Exemplo de Cameron Post” evidencia o quanto seus personagens cruéis teimam em confundir uma coisa com a outra – e o “miseducation” do título original é certeiro para que tenhamos a noção exata da ideia. A conduta de Cameron (Chlöe Grace Moretz), entorpecida diante da realidade conservadora e burguesa que…

  • Cold War

    Cold War

    ★★★

    No que diz respeito a sua abordagem dramática, “Guerra Fria” pode ser dividido em duas partes bem distintas: um comentário corajoso e inventivo acerca de uma Polônia encarando as dificuldades características do pós-guerra e, na sequência, um romance turvo e conturbado entre dois improváveis amantes. Se a primeira funciona magistralmente, a segunda já enfrenta alguns problemas graves.

    O novo trabalho de Pawel Pawlikowski, diretor mais conhecido pelo excelente “Ida”, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015, demonstra um…

  • Uma Noite Não é Nada

    Uma Noite Não é Nada

    ½

    Se existiu algum carinho e dedicação na feitura de “Uma Noite Não É Nada“, fica bem difícil de identificar ao longo de seus penosos 90 min. Qualquer obra de arte tem o poder de estabelecer o seu próprio universo e de proporcionar ao observador determinadas sensações que o levarão a embarcar ou não na jornada proposta. A questão se torna problemática quando pouco ou quase nada se constatam de intenções – ou pior, quando as únicas constatações depõem contra o…

  • Friday's Child

    Friday's Child

    ★½

    Numa tentativa de conferir peso aos personagens, o diretor e roteirista A.J. Edwards investe em diálogos e ações que perseguem uma espécie de revelação. Traumas, angústias e conflitos existenciais deveriam estar evidenciados num terceiro ato redentor, mas a própria construção truncada da narrativa nos impede de absorver o impacto que a trama ligeiramente anunciava alcançar.

    Conhecemos o protagonista Richie (Tye Sheridan) quando ele está prestes a emancipar-se. Órfão, passou a vida inteira em instituições ou irrequieto na casa de seus…

  • Mood Indigo

    Mood Indigo

    ★★★★★

    Autor do romance que serviu de base para este "A Espuma dos Dias" (e mais outros dois filmes: o primeiro realizado pelo francês Charles Belmont em 1968 e o segundo pelo japonês Go Riju em 2001), Boris Vian presenteia o mundo com invenções extravagantes no campo das ideias e na própria linguagem em si. Gondry, um artesão reconhecido pelas particularidades de suas próprias fantasias, soube ler o estilo de Vian e trazer para o seu universo as características que mais…

  • Trouble Every Day

    Trouble Every Day

    ★★★★★

    uma das melhores coisas do mundo é assistir a um de seus filmes favoritos no cinema. o prazer e a dor e a angústia de ver essas imagens (e desta vez na sala escura!) tomaram conta de mim mais uma vez. o sangue e o desejo são tão abundantes quanto a inquietação de Claire Denis, que apesar de sedenta por se expressar, tem toda a paciência do mundo para construir um universo muito particular e apresentá-lo de forma ultra enigmática…

  • Santiago

    Santiago

    ★★★★★

    A linha é mesmo tênue entre o didatismo e a exposição necessária de um "eu" absolutamente resignado. Não há revolta no texto de João Moreira Salles, que ganha vida pela voz do irmão, mas sim o entendimento de que o passado não existe enquanto força rígida, inabalável, inconteste. Memória e transformação ditam a feitura do próprio filme, um arauto das angústias de seu diretor. São os pedaços dessa memória (da infância; da casa; do filme de 1992 que nunca existiu)…

  • Araby

    Araby

    ★★★★★

    VOCÊ SE TORNA PARTE DA MÁQUINA: UMA REFLEXÃO SOBRE “ARÁBIA” E “O PROCESSO”

    [...]
    "Em “Arábia”, ainda há a presença de Ana, mediada pelas memórias de Cristiano, por sua vez mediada pela imaginação de André. Ana e Cristiano se apaixonam, compartilham momentos incríveis e se separam. Cristiano escreve suas memórias por causa de um grupo de teatro que participa na fábrica em Ouro Preto, mas relata que é apenas por causa de Ana que consegue colocar caneta e papel novamente…