Simone Barbès or Virtue

Simone Barbès or Virtue ★★★★½

Simone Barbès se divide entre o foyer de um cinema pornô e um nightclub lésbico (o clima é de David Neves no território de Virginie Despentes). Na primeira das locações, a personagem-título comanda a vivacidade dos vais e vens: ela organiza a ação e os impulsos voyeurísticos dos homens; Simone é maestrina e inspetora dos desejos ondulantes. Já na casa noturna, ela se retrai. Ao invés de se impor no espaço, percorrendo-o e, dessa maneira, tomando-o para si, ela se recolhe em um canto, onde permanece como que acuada pelas outras mulheres e pelo seu próprio desejo, assumindo o papel de voyeur — numa inversão da correlação de forças prévia, o ambiente passa a ditar o comportamento dela e não o contrário. Dessa vez, o tesão dela é que precisa de coordenação; e a ansiedade diante dessa premência arrisca transformar a noite em frustração.

Por fim, um epílogo: ela se lança à deriva na noite, nas ruas da cidade, onde tudo pode acontecer em contraste com os ambientes fechados e relativamente controlados que havíamos visto. Simone aceita um convite suspeito, mas o que ocorre? Será uma revanche contra as decepções noturnas ou uma imposição da mulher que se reergue frente a patetice masculina, resoluta em reafirmar o seu controle da situação? A virtude é o controle? (auto ou do meio). Sequência misteriosa, decerto.

Toda viagem ao fundo da noite existe sob o espectro da manhã. Com Simone Barbès, obra noturna, não é diferente. O derradeiro plano nos revela o apagar das luzes da cidade; momento no qual a iluminação dos homens se retira para dar lugar ao sol. É chegada a hora da manhã, seja esse fato uma promessa ou uma ameaça.

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