Arrival ★★★★★

a chegada é um filme interessante de se reassistir.

o conceito da língua cíclica dos alienígenas apresenta um problema cinematográfica bem interessante. como representar uma narrativa "livre do tempo".

já sabemos que o tempo num filme não precisa ser linear. isso não é novidade. mas ainda assim nossa experiencia do tempo segue sendo linear, não temos como fugir disso. não somos heptapods. você pode mostrar primeiro o meio, depois o fim e terminar com o inicio, ou qualquer ordem que quiser no seu filme, mas ainda assim você vai mostrar um de cada vez. a ideia de mostrar tudo ao mesmo tempo é inconcebível, e obviamente o filme não se propõe a isso (provavelmente viraria um troço inassistivel ou um shitpost tipo "All Star Wars Films at Once").
porém, reassistir um filme talvez seja a experiencia que chega mais perto da sensação descrita pela protagonista. pois tendo conhecimento total da narrativa podemos visualizar em nossas mentes qualquer ponto da história e fazer novas conexões a partir daí. isso é bastante divertido. acho que por isso não sou o tipo de pessoa que se incomoda com spoilers.

enfim.

outra questão que ficou mais evidente pra mim reassistindo foi o uso de repetições, quase como rimas, em pontos distantes do roteiro. não sei o nome pra isso. não chamaria de "chekhov's gun", acho que esse conceito se aplica mais pra objetos ou declarações mais marcantes, sei lá, to falando mais sobre algo como ironia dramática.

como a citação sobre linguística jogada no primeiro ato: "a língua é a primeira arma sacada em um conflito" que encontra seu pay off quando ao se comunicarem com os aliens "oferecer arma" é a resposta que eles recebem para pergunta central do filme. "Qual é o seu propósito na Terra?"