Penitentiary ★★★

O boxe como salvação. Salvação no inferno, não no paraíso. A prisão como inferno e a cela como o primeiro ringue. A penitenciária como o inferno do inferno para negros. Quase não há brancos ali, e os principais que aparecem durante o filme — o tenente, chefe dos carcereiros, e seu cunhado, um empresário e olheiro — são para lucrar ou tirar algum proveito das lutas. O comentário político de Jamaa Fanaka pode não ser totalmente direto, mas não há rodeios quando precisa chegar ao ponto. As lutas, em sua maioria, são de pobre coreografia, mas Penitentiary é mais do que um filme de boxe, e quem deixa isso claro é o treinador do protagonista, Hezzikia 'Seldom Seen' Jackson, encarcerado por cinquenta dos seus sessenta e cinco de vida. Ao final do filme, esse homem negro, de cabelos grisalhos e olhos levemente marejados, que está prestes a sair também, revela a maldição do cárcere, a "maldição" do homem negro em sociedade:

— You know, don't you? You know I'm afraid? I'm afraid of the streets. When I first went to jail TV was just begun to be talked about. The jet age wasn't even thought about. Now it just scares me to think about going back out there and being a nobody. What can I do? Who wants me? Who even would pay attention to an old out of date fool like me? In here I am somebody. I got my own TV, my own stereo, my own home, three hots and a cot. And more than that, I mean something in here. I got respect.
— There's only one thing wrong, Seldom. You ain't got no hope. Seldom, we could make it out there, man. Me and you, we could do it. You got to at least try. Okay?
— Okay.

O abraço que sela uma amizade. E a cela que fica para trás. Um homem na estrada recomeça sua vida.