The Brown Bunny ★★★★½

Me lembra muito o Gerry do Van Sant (coincidentemente foram lançados quase no mesmo ano) com essa ideia da desolação do protagonista inserido num trajeto longo e absurdo perseguindo um objetivo desconhecido. Também me lembra o Taste of Cherry do Kiarostami, que apesar de haver um objetivo final claro no percurso do protagonista, tem sua potência toda calcada no prolongamento do espaço, na dureza do trajeto, na repetição, na dilatação e consequente espacialização do tempo fílmico. Todos eles têm personagens extremamente móveis fisicamente em relação ao espaço embora paralisados psicologicamente em relação ao tempo - a um fato que ocorreu no passado ou que acontecerá num futuro breve.
Mas na contramão dos dois citados, Gallo não se interessa por concretizar no quadro uma recompensa final (seja ele o momento gráfico de um assassinato catártico ou o momento de aceitação da própria morte, como nos dois filmes) para o protagonista e nem para o espectador, que completaram juntos de forma exaustiva todo o curso penoso do filme. Quando chega o momento chave de The Brown Bunny, a sequência final reveladora, não há qualquer tipo de catarse. O momento que tanto esperávamos ver se transforma lentamente na sequência que jamais desejaríamos algum dia ter visto. Não há prêmio pelo circuito completado e sim uma condenação extremamente dolorosa.

Um dos mais tristes, crus e destrutivos de todos os tempos.

Filmaço.