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  • Paradise Lost

    Paradise Lost

    ★★★

    Por um momento parece que Gardenberg não vai dar conta de segurar tantas narrativas entrecruzadas, dramas de tantos personagens, e por mais que elas não se concluam a contento, há um esforço de cuidar delas e de fazer a roda dos encontros, desentendimentos e coincidências girar. Isso é um grande mérito porque seria muito fácil fazer de Paraíso Perdido um elogio kitsch ao brega e ao romantismo popular, regada a uma trilha sonora recheada de músicas de fossa e uma…

  • Varda by Agnès

    Varda by Agnès

    ★★★½

    É possível dizer que este filme encerra uma espécie de trilogia confessional, junto com os dois longas anteriores da cineasta, e este aqui se assemelha a uma espécie de masterclass casual, graciosa e em certa medida inventiva, vinda dessa “senhora rechonchuda e falante”, cineasta das grandes, apaixonada por gente e imagens. Uma vida, uma obra, uma generosidade sem tamanho pelo outro e pelo que move os sentimentos humanos.

  • La Pointe-Courte

    La Pointe-Courte

    ★★★★

    Incrível exercício de estilo que antecipa a Nouvelle Vague, sendo tão pouco reconhecido como tal. Dá pra visualizar a jovem Varda ali tentando encontrar sua escrita cinematográfica, apostando em coisas tão distintas dentro de um mesmo filme: a vida cotidiana de uma vila de pescadores no sul da França, com atores não profissionais interpretando a si mesmos, convive com o drama do jovem casal em crise cuja relação se estabelece na cena de modo quase teatral, com diálogos emprestados da…

  • So Long, My Son

    So Long, My Son

    ★★★★

    Melodrama sóbrio, que poderia se enrolar com as idas e vindas entre passado e presente, mas é tão cuidadoso, tão carinho com seus personagens que as coisas vão se encaixando a seu tempo. O tempo da China comunista e de controle populacional entrar na era do capitalismo econômico e sufocar seu povo mais humilde e trabalhador; o tempo do seu diretor nos fazer entender a dor do luto e os modos de superação das solidões. O tempo que a vida leva para rearranjar as coisas enquanto ainda há tempo.

  • Pet Sematary

    Pet Sematary

    ★★★★

    Sobre a dificuldade de lidar com nossas perdas e fracassos. Visto hoje, o filme talvez guarde mais um interesse pela atmosfera retrô-trash do que pela execução em si, já meio datada. Mas o roteiro opta por umas boas fugas de lugares comuns.

  • Transit

    Transit

    ★★★★

    A guerra – ou o mundo em conflito –, os que deixam e os que são deixados. Petzold parece retomar o tema do filme anterior, o ótimo Phoenix, para continuar discutindo a perda e a busca, algo que ganha tintas mais latentes aqui. Se essa intenção não estivesse clara, ela ganharia certeza no minuto final, tão seguro Petzold demonstra estar da estória que filma. Há uma romântica e triste transformação que toma o protagonista ali no desenlace derradeiro, e o filme se assegura do que havia afirmado o tempo todo: esquecer não é uma opção, é a sina de seus personagens, seguir resistindo com isso.

  • Wolf Children

    Wolf Children

    ★★★★½

    Sobre criar os filhos para o mundo.

  • Her Smell

    Her Smell

    ★★★½

    Ross Perry sobe o tom propositadamente para contar mais uma história de estrela do rock em decadência e os abalos ao seu redor que se estruturam a partir disso. Mas diferente de filmes anteriores (penso especificamente em Cala a Boca, Philip e Rainha do Mundo) em que o excesso só embaralha os conflitos sem lhes dar sustentação, aqui prevalece uma estrutura muito coerente de queda e renascimento. Além disso, é um filme cassavetiano até a medula, referência muito claramente assumida…

  • Golden Exits

    Golden Exits

    ★★★½

    Cada vez mais maduro como encenador e, especialmente, como roteirista, Alex Ross Perry tem se especializado na intimidade do nova-iorquino solitário com seus dramas existenciais. Aqui ele ganha muito ao deixar de lado a afetação e o exagero verborrágico dos longas anteriores, aquela bagunça de emoções que jogava os filmes num emaranhado incerto de dramas gritados. Em Golden Exits também há um emaranhado de dramas incertos, alguns até difíceis de mensurar, mas o olhar é muito mais atento e complacente…

  • Koko-di Koko-da

    Koko-di Koko-da

    ★½

    Exercício masoquista de crueldade e horror, embalado na estrutura já clichê da prisão no looping temporal angustiante, mas sem o frescor de um guilty pleasure de terror barato.

  • God of the Piano

    God of the Piano

    ★★★½

    Prezo filmes que conseguem mostrar a que veio á na sua cena inicial. Aqui, há ainda uma despiste: uma jovem mulher se apresenta ao piano; sua expressão é de firmeza e concentração. Vemos que filetes de água escorre pelos seus pés. A pressão do concerto a fez urinar? Logo em seguida, há um corte e estamos dentro de um carro. Ela vai no banco de trás segurando as contrações: está grávida, a bolsa estourou, o caminho é o do hospital.…

  • Divine Love

    Divine Love

    ★★★½

    A religião no cinema, especialmente o fanatismo evangélico, tende a ganhar uma representação para lá de caricata e exagerada nas telas quando se quer apontar hipocrisias. Divino Amor, de Gabriel Mascaro, segue um caminho oposto. O filme flerta com um futurismo próximo para imaginar um estado de coisas, tendo a religião como centro da vida de seus personagens, algo que não está muito distante de certo pensamento da comunidade evangélica que governa o país.

    Mas Divino Amor cria uma engenharia…